- "Gosto do clichê, da rotina, do épico. Mas quero algo novo, algo improvável, fora de planos e de programações. Um imprevisto, um imprevisto suavemente agradável, por favor." - sussurrou a menina para o vento.
O vento por sua vez nada respondeu.
Então ela sorriu e pensou "esse silêncio foi um sim".
E estava pronta, pronta pra não estar pronta e mesmo assim seguir em frente.
E estava esperançosa por algo terrivelmente bom.
- "O que tens pra mim hoje" - perguntou a um pássaro que pousara em um dos galhos da árvore em que estava encostada.
Ele por sua vez assoviou, como bem fazem os pássaros.
Então, ela mais uma vez sorriu e pensou "é surpresa".
Aquele seria o dia, o dia mais feliz de toda a sua vida. E por que?
Porque ela decidiu que seria.
A menina saiu, e foi embora. Para onde foi? Ninguém sabe, nem mesmo ela sabe.
Está seguindo o vento, seguindo os sonhos, seguindo. Fazendo tudo aquilo que um dia jurou que não iria fazer.
Uma hora corre, outra hora anda devagar, caminha no ritmo da música.
Da música que ela acabou de inventar.
Mariana Hugueney

