Tenho tantas
e tantas coisas pra dizer e para não dizer, e dentre essas tantas e tantas
coisas, poucas são as que fazem sentido.
E como falar sobre
elas, já que estão perdidas em alguma parte desse meu coração de plástico?
São tão desprezíveis e magníficas, confusas e óbvias, possibilidades e impossibilidades.
Coisas sinceras e outras sutilmente mascaradas. Mas no final, são apenas coisas, nada além de coisas.
São tão desprezíveis e magníficas, confusas e óbvias, possibilidades e impossibilidades.
Coisas sinceras e outras sutilmente mascaradas. Mas no final, são apenas coisas, nada além de coisas.
E por estarem tão perdidas é que as palavras assim se perdem
também, são desfeitas pelo próprio tempo. Assim como os rabiscos gravados nos
móveis de madeira de uma casa abandonada.
Por vezes elas foram ditas e logo depois retiradas (ou pelo
menos, tentam retira-las)
Mas no final, não são apenas palavras, vão além disso.
Elas estão em cada silêncio, em cada abraço, em cada troca de
olhares de dois jovens estranhos passando pela Rua 89 de uma esquina qualquer.
Eles se olham e conversam, ambos sem dizer nada, um silêncio
repleto de exclamações.
E nas fotos, músicas, lugares e sorrisos, estão milhões de
coisas sendo exprimidas.
Sou apaixonada pelas palavras, e principalmente pelo que vai
além delas,é um mundo desconhecido cheio de coisas e de algo a mais. “um algo a
mais’ tão inimaginável, incompreensível e indescritível. Tão ‘in’ e tão ‘vel’.
Mas talvez eu esteja
enganada, talvez palavras são apenas palavras, nada além de palavras. Talvez no
silêncio exista apenas ele próprio, assim como nas fotografias e nos rabiscos
na tal mesa de madeira.
Talvez músicas sejam músicas e lugares são lugares e talvez
não exista nenhuma exclamação abstrata em sorrisos e abraços.
São tantos ‘ talvez’ e tão poucos jovens atravessando a
esquina 89, e se olhando, e não dizendo nada, pois “é difícil dizer o que não
pode ser dito”.
E aqui estou eu, me
contradizendo e me perdendo nas coisas mais uma vez.
Dizendo o que já foi proferido e tentando dizer o que não
pode ser dito.
Mas só queria acabar por aqui, com um fim coerente. Mas não
consigo.
E o que te escrevo, é com o mínimo de teor.
Então não me proteste, pois desde o começo você soube da ausência
do sentindo nas palavras que se seguiram.
E já que cansei de escrever, reescrever e me perder, só me
resta dizer que aqui jaz o malfeito fim.
Mariana Hugueney.

