Sentada, eu e o silêncio.
E de repente ela vem, tão sutil e assustadora.
Ela não tem uma boa razão para estar aqui.
Vem sem barulho e sem nada, é apenas ela.
Não manda recado, não pergunta se pode vir, apenas vem.
Vem com suas músicas, suas cores, com seus assuntos e com suas piadas sem graças.
Muda os móveis, muda meu sorriso e meus olhares, muda minha voz e às vezes muda até minhas opiniões.
Ela nem percebe que eu não gosto dela, aliás, percebe, mas ignora.
E eu tento fazer o mesmo, tento ignora-la.
Mudo os móveis de novo, dou meu sorriso, coloco minhas músicas, minhas cores e até volto com minhas antigas opiniões.
Mas ela continua, eu poderia chama-la de persistência, mas ela já tem nome, é a tristeza.
E da mesma forma que vem vai embora, e eu continuo só.
Aliás, continuo eu e o silêncio.
Mariana Hugueney

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